Já uns dias para cá tem sido algo que me intriga, a verdade é que ultimamente as pessoas (pelo menos as com quem eu falo, acredito que exista muita gente a ver passarinhos azuis) se sentem desiludidas com o amor… ou melhor com o conceito que vive do amor.
E pelo que tenho lido pelo mundo blogueiro não sou só eu a detectar essa mudança de espírito que se tem sentido no ar.
Poderia dizer que ando cínica no que diz respeito a esse sentimento mas a verdade é que isso iria contra a minha forma de ver a vida e verdade seja dita eu sou muito fiel ao que penso… não o forço a ninguém mas também não permito que o façam comigo.
Hoje em conversa com um novo amigo deste mundo virtual, dei por mim a pensar que dificuldade é que existe em se ser feliz e fazer os outros felizes?
Serei assim tão inocente ao pensar que não é assim algo de outro mundo?
A dádiva da felicidade, ou pelo menos do que deveria ser felicidade, não pode estar exclusiva a uns e não a outros e não podemos estar constantemente felizes, isso é contra-natura já que o Homem por si só é um eterno insatisfeito que busca na efémera parte da vida a felicidade dos momentos únicos apenas conseguidos quando se entrega a alma, a algo ou a alguém.
Não posso no entanto deixar de constatar que cada dia que passa mais as pessoas dizem com facilidade a palavra odeio-te e cada vez menos a palavra amo-te e isso a mim deixa-me assustada.
E quando falo na palavra não a associo ao género ou ao tipo de amor mas na generalidade das coisas e das situações. E sim é verdade que Jesus Cristo só houve um e apenas ele deu a outra face mas não vêm que ao existir cada dia mais sentimentos como o ódio… a raiva… a inveja… mais atraímos para nós mesmos os sentimentos que damos.
Situações como culpar o outro por um comportamento nosso… usar o sentimento que nos dão com a alma aberta… ser incapaz de deixar o outro partir e ser feliz só porque não o é connosco… caluniar a quem já algum dia dissemos amar por vingança… para que isso? O que se ganha em atrair tamanha bagagem kârmica… o que deixamos depois aqui quando o invólucro partir? Que lembranças? Porque nós somos o que plantamos…
Pais que usam os filhos para se agredir mutuamente… que envolvem chantagem psicológica (com eu dou-te isto se fizeres aquilo… gostas mais de mim que te faço as vontades…) que tem a ganharem com a destruição do carácter de uma criança que até pouco tempo foi fruto do amor do casal?
A dádiva da felicidade para mim não é algo que tenha de ter um trabalho hercúleo para o conseguir… mas também não é algo que se consiga com um estalar de dedos… aliás quanto mais nos esforçamos para a conseguir mais ela escorre por entre os dedos como se fosse a fina areia da praia.
E o que mais assusta é saber que tanta pouca gente se capacita que antes de ser capaz de fazer alguém feliz tem de saber o que realmente a faz feliz a ela… manter-se fiel a sua personalidade… não mudar de gostos porque o X gosta da carne em sangue ou o Y de carne esturricada… vivemos numa época onde o medo de ficar só é tão grande que não nos apercebemos que a maior solidão é mesmo estar no meio de uma multidão e não sabermos quem somos… nem o que somos.
A capacidade de dar porque sim perdeu-se… esfumou-se! Frases como: “Não precisas retribuir… “perderam-se e tornaram-se cliché básicos e tristes…
Ficar feliz porque o outro está… sentir na alma a verdadeira felicidade de ver quem amamos bem mesmo que não do nosso lado está de tal maneira em vias de extinção que deveria ser protegido como uma espécie ameaçada…
Triste saber que a principal capacidade que torna o Humano mais evoluído e diferente do animal que é o facto de raciocinar, e no fim a sua incapacidade de sentir sem estar sempre a espera do retorno, a racionalizar o que pode ganhar, o torna tão mais inferior a quem chamam irracional… porque esses sim amam com paixão a vida… a si mesmo e a sua espécie.
Ando confesso, desiludida com a incapacidade que vejo nas pessoas de serem mais honestas… desprovida talvez momentaneamente da minha capacidade de ver algo de bom mesmo quando a volta tudo mostra o contrário… mas isso não faz de mim seca ao ponto de ficar feliz com a infelicidade dos outros…posso até não querer saber se são felizes ou não e em alguns casos achar que só têm o que merecem, mas rejo-me desde de que me conheço como gente com o seguinte lema:
“Desejo aos outros o triplo do que me desejam a mim!”
Simples não é?
Então porque raio é que é tão difícil ser feliz e fazer os outros felizes?