Ora então vamos lá voltar a escrita, e nada como começar com um tema digamos que polémico/delicado.
Hoje em dia, infelizmente, o que por aí mais abunda são filhos de pais separados que dividem as suas vidas entre a casa do pai e da mãe... entre a namorada do pai e da mãe e entre as acusações que existem muitas vezes entre eles.
Não tenho filhos, mas vivo num entanto a situação retratada em cima e posso desde de já garantir que não é nada fácil geri-la.
Por um lado porque nunca sei até que ponto cruzo uma linha que não devo e que irá baralhar mais a mente da criança, por outro porque certas coisas não tolero e tenho de assumir um papel que muito provavelmente não me pertence.
Sendo uma pessoa bastante fria quando analiso as situações, faça eu parte delas ou não, não posso deixar de verificar que muitas vezes essas mesmas situações são usadas pelas crianças como uma espécie de chantagem dissimulada, que instiga sentimentos de culpa nos adultos responsáveis e que se julgam donos e senhores da situação.
Para mim uma criança não é nem nunca foi sinónimo de burrice onde a facilidade de ilusão é algo garantido, sempre as tratei como seres pensantes, extremamente inteligentes e com uma enorme capacidade de manipulação.
São crianças!! Provavelmente é o primeiro pensamento que vos irá saltar a cabeça... e a isso eu contra-argumento com a frase: "E então?". Lá por serem pequeninas e fofinhas e dependentes, passam a ser burras? A minha avó tinha uma frase que ainda hoje me bate na cabeça... "uma criança coloca um adulto na prisão!" e a verdade é mesmo essa... na sua inocência inquestionável muitas vezes são pequenos terrores.
Por isso e observando o que me rodeia não posso deixar de questionar o que estaremos com o nosso comportamento a criar para o futuro.
E atenção, com isto não estou a querer dizer que um casamento deva ser mantido apenas pelas crianças, já que aí ainda será pior a emenda que o soneto, mas não estará na altura de assumir as coisas pelo que são?
Uma criança deixa de ter de ser orientada, de manter regras, de dever obediência apenas porque tem os país separados?
Não deverão os pais colocarem as diferenças de lado e aprenderem a coagir como seres humanos pelo bem estar da mesma?
Um exemplo fácil a associar aqui é uma reunião de negócios, quantas vezes nos apeteceu partir as trombas ao tipo que temos a nossa frente e não o fazemos pelo bem da negociação que esta a decorrer? Quantas vezes não assumimos um papel que não gostamos para o bem da nossa empresa e do nosso ordenado?
Se o fazemos nesse caso porque não o fazemos para o bem estar do ser que colocamos no mundo e não nos pediu para o fazermos?
E no caso contrário, quantas vezes tivemos de ser duros e intolerantes com situações que nos apetecia deixar passar pelo bem do nosso carcanhol no final do mês? E não o fazemos com quem temos o dever de educar porque?
Por medo que deixem de gostar de nós? De serem influenciados pela outra parte?
A sério???
E depois? Quando estes mesmos infantes assumirem a sua vida adulta e forem espezinhados e trucidados por um mundo que não se coaduna com a sua qualidade de filhos de pais separados? A quem irão eles atribuir a culpa?
I wonder!
Namasté!