( Imagem de Fabio De Castro Rub)
Todos nós temos os nossos refúgios, certo? O sítio que nos sentimos mais seguros…onde gostamos de nos isolar para pensar… para termos uma daquelas conversas pé de orelha com nós mesmos.
Existe quem apenas tenha um… quem não tenha nenhum especifico eu tenho vários… (eu e esta minha mania das grandezas) mas é verdade tenho.
Dependendo do meu estado de espírito ou daquilo que preciso em determinada altura refugio em locais diferentes com formas diferentes de me fazerem sentir aconchegada.
Não é no entanto novidade para ninguém que o que mais uso é o mar… gosto dele em qualquer um dos seus humores mas mais que o observar gosto de o sentir… de me deixar envolver por ele… e tenho sentido bastante a falta dessa sensação.
Sou uma pessoa mal habituada, passei a maior parte da minha infância e adolescência num local que proporcionava o contacto com este velho amigo independentemente das horas ou da Estação em que tivéssemos, mas desde de que regressei ao meu país tenho de me reger segundo a temperatura para puder acarinhar e ser acarinhada pela imensidão de água que banha o nosso cantinho.
E as saudades apertam… nesta altura em anos transactos já me teria entregue as carícias do meu velho companheiro mais que uma vez… mas pelos vistos alguém anda lá em cima a brincar com as agulhas do tempo e estamos no Verão que se disfarçou de Outono desde de que o calendário disse que ele tinha chegado.
Por isso e esperando que amanha não nos troquem novamente as voltas ao sistema estou a pensar passar a manha na sua companhia ouvindo o doce murmurar do seu gemido sempre que ele beija a areia…
Sinto falta dessas horas em que o tempo… as dores de cabeça e os problemas são quase que magicamente isolados pela maresia que se estende de encontro a nós e nos deixa sonolentos e relaxados…
Preciso também de sentir o beijo do sol na minha pele… ela está demasiado habituada a ele para não o sentir e são demasiados os meses em que passa camuflada por debaixo das inúmeras camadas de roupa … e sinto-a sedenta…
Mas mais que isso é o local onde por escassos minutos me esqueço de tudo e me deixo ficar entre o limbo da inconsciência e o refugio do ser que me dá força para enfrentar com mais facilidade o que teima em atravessar o meu caminho… isso e o colo da minha mãe… que sabe sempre a doces iguarias e me faz lembrar que mesmo adulta e senhora do meu nariz serei sempre a sua menina que busca a calma que trás dois minutos de carícias sublimes!
Amanhã… sem falta…
Não pode passar nem mais um dia!

