quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Ai Utena... tu e essa tua intolerância á burrice


Não consigo lidar… juro que tento mas geneticamente devo ter uma qualquer deficiência que me impede de ter paciência para gente que não só se faz de Burra, como gosta de o ser e como de facto o é.
E eu não tenho cú (e o termo é mesmo esse) para lidar com esse tipo de gente, porque mais que a pessoa não saber é aqueles que não querem saber.
Reparem nesta conversa surreal entre mim e uma menina da EDP via telefone:
Utena: Bom dia o meu nome é Utena Maria da Graça e eu estou a ligar por causa de uma factura de rectificação.
Operadora: Bom dia número de contracto por favor?
U: O número é o X e o que se passa é o seguinte: Vocês estão a facturar-me uma factura duas vezes. Ou seja para além de me estarem a facturar mais 16 Quilowatts de luz ainda me estão a creditar o valor de uma factura que eu já paguei. E ao em vez de eu ter direito a um crédito de Y estão a debitar-me X.
O: Só um momento que eu vou verificar.
U: Com certeza.
(10 minutos depois)
O: Olhe eu estive a ver e se vir o crédito já está a ser descontado no valor total da factura. Não somou e não viu que o valor não é esse?
U: (já a bufar pelo nariz) Mas a menina só pode estar a brincar certo? Que contas quer que eu faça? Se o valor que esta na factura nem deveria cá estar?
Quer dizer pago luz a mais e agora vou duplicar uma factura que já paguei? O problema é que o vosso sistema não actualiza em menos de 72 horas e entre o pagamento desta e a emissão dessa (com respectiva rectificação) não bate.
Logo eu tenho a receber não a pagar.
O: Quem não entende é a senhora o valor já esta a ser descontado.
U: (A desejar neste momento ter a criatura perto dos dedos) mas a menina está tonta? Vou descontar o que se o valor já foi pago? E está a ser duplicadamente facturado?
Tem as facturas consigo? Siga os passos… Esta a ver no débito? Some os valores menos o CAV. Que valor dá?
O: X!
U: Que é o valor que paguei na factura anterior. Certo?
O: Sim!
U: Logo esta a ser facturada 2 vezes está a perceber?
O: Só um momento
(Mais 15 minutos e eu a pensar que de facto a EDP e a PT são do mesmo patrão e aqui a jumenta a pagar)
O: Obrigada por aguardar. O que eu posso fazer é abrir ocorrência e ver o que se passa.
U: Mas a menina está parva? Ver o quê? Se você não distingue um burro de um cavalo?
O: É assim o valor está a ser descontado.
U: Ouça esqueça! A culpa é minha de achar que resolvia isto pelo telefone. Vou a uma loja falar com quem entende.
O: Pois os procedimentos da loja eu não sei.
U: Olhe nem eu mas pelo menos cara a cara as coisas resolvem-se! Isso garanto-lhe (a pensar levares duas lamparinas na tromba a ver se abrias a pestana é que era)
O: Mais alguma coisa em que possa ajudar?
U: Porquê? A menina ajudou? Obrigada, bom dia
E desliguei.
Agora digam-me lá se está ou não uma abundância de parasitas por aí sem fazer nada a coçar os tomates enquanto existe gente a crer e a saber trabalhar?
Arre que só me aparecem broches com dentes camandro!

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Estava aqui a pensar nessa especie inventada... que já foi encantada

Numa altura da nossa vida todos procuramos um príncipe encantado (ou princesa).
Todos sem excepção idealizamos o companheiro como alguém com características próprias do que seria o ideal para nós… mas raramente existe alguém que idealize e modifique em si características para que o ideal não venha apenas de um lado tal como uma peça de roupa feita a medida, novinha em folha, mas que ainda não adquiriu a alma que o uso a faz adquirir.
Eu tal como todas as meninas, também já idealizei o meu príncipe encantado… também já sonhei acordada com isso… com o cavalheiro andante.
Mas a verdade é que a medida que fui crescendo, e talvez bastante mais cedo que a maior parte das pessoas, cheguei a conclusão que os príncipes não existem e que uma pessoa criada e moldada aos nossos desejos, apenas poderia ser alguém insonso e sem aquele picante que faz a vida valer a pena.
Verdade que de momento estou sozinha, esquisitice existe quem diga… mau feitio dizem outros… escolha própria confesso eu.
Mas vai já há muito tempo que não busco nas minhas relações a perfeição que nos deveria trazer o príncipe-encantado.
Gosto de um homem com as suas falhas e os seus defeitos porque só elas realçam as suas virtudes.
Mas mais que isso adoro ver um casal que se complementa com as suas discussões e rabugices… com os seus olhares conhecedores da alma de alguém que não dividiu apenas uma vida do seu lado, mas também os seus sonhos…os seus projectos e os seus desejos.
No fundo é isso que agora procuro o companheirismo que se reconhece na gargalhada de quem está mesmo ali ao alcance dos nossos dedos… e que nos corresponde ao aperto da mão que necessitamos sem falar.
Li há muitos anos atrás um provérbio chinês que ficou marcado na minha memória, era mais ou menos assim:
“Escolhe para a tua vida a pessoas com quem gostas de falar... porque quando envelheceres é só o que vais fazer”
No fim não será mesmo isso que interessa?
Ver nos olhos de quem está do nosso lado o reconhecimento que se sente na alma...
E enquanto essa altura não chega sonhar… muito… sem medo de parecermos ridículas ou românticas… sinto que é isso ultimamente que faz falta a tanta gente… a capacidade inata de sonhar.
Namasté

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Saber que...


Algures na curvatura da suposta evolução humana algo aconteceu que fez o Homem olhar ao espelho e considerar-se igual a Deus.
E por mais que os livros antigos nos “martelem” a cabeça com a ideia que Deus nos fez á sua semelhança, penso que terá sido por essa altura que se começou a considerar a vida de uma forma absurdamente materialista.
Deixem antes de mais esclarecer uma coisa eu não sou católica, fui baptizada porque o destino conspirou para que assim fosse, pois era vontade dos meus pais que com uma idade mais consciente eu escolhesse que religião seguir, mas um pedido inegável fez com que eu recebe-se o baptismo.
Mas nada tenho contra as ideias de uma religião maioritariamente criada por homens (e aqui a letra minúscula é propositada).
Pensando bem não existe uma religião especifica que siga e não sou definitivamente ateísta, sou alguém que antes de ouvir os outros se ouve a si mesma, no silencio da noite ou nas brumas de um dia de chuva e que sente que na religião como na vida o equilíbrio entre o masculino e o feminino é a base de tudo.
Mas não é sobre religiões que hoje me apetece “idealizar” por este meu canto de palavras soltas, o tema é quente demais…polémico demais… e pessoal demais para ser falado num texto com um número limitado de palavras. Confesso que gosto de o discutir com quem saiba do que fala não porque levou uma injecção em miúdo e esqueceu-se de tomar o antídoto mas com quem sabe que no fundo todas têm uma raiz comum e todas merecem respeito. É um tema fascinante que já me fez esquecer das horas… do tempo e mesmo do espaço.
Não o que me levou a falar a escrever hoje foi a tomada bruta e consciente que cada dia se infiltra mais no meu ser que se dá valor ao que não se deve…se critica o que não se sabe e se esquece aquilo que realmente importa nesta passagem pela vida que todos fazemos.
Nós não somos Deuses… não temos o poder de influenciar a vida dos outros prolongando a sua dor ou o seu estado de sofrimento e é isso que vejo em pleno Séc. XXI cada dia se prolonga mais a doença (não a vida) a doença… de uma forma dolorosa…inumana… fria e acutilante.
A vida humana é sagrada mas também é tão frágil como as asas de uma borboleta que quando perde o seu pó mágico a impede de voar…
Acredite eu no que acreditar… por mais dor que isso me possa causar não posso deixar de constatar que nos tornamos egoístas…porque adiando a morte muitas vezes não se prolonga a vida…aumenta-se o sofrimento.
Hoje aqui na loja quando vi aproximar-se da porta uma das mulheres mais corajosas que conheço e que luta com a doença que não interessa arranjar cura, passo a passo… uma imagem deturpada de si mesma…baça… lutando para conseguir se manter em pé…erguendo a mão em cumprimento mas não aquele cumprimento que nos arranca um sorriso fácil mas aquele que nos mostra o quão cansada está…senti como se tivesse levado um murro na barriga e perdi o ar e as forças…
E a ouvi dizer em voz tremula que se sujeita a tratamentos de 5 horas com a indicação do médico que se desiste morre e que se os fizer não sabe se vive… que no fim e com um suspiro diz :”
Eu não vou desistir” - não consegui deixar de pensar quando foi que na curva da evolução o homem se esqueceu que é a imagem de Deus ou da Deusa e se tornou a parte negra dos mesmos…
Quando foi nessa maldita curva que se esqueceram que na vida mais que a realidade conta a caridade que se necessita muitas vezes sem se pedir?
Não sei… mas que me assusta…isso assusta.
Namasté