Ora e começamos o desafio, o primeiro em que me aventuro, no dia da criança... e verdade seja dita enquanto houver país nas nossas vidas e independentemente da idade que tenhamos todos somos ainda crianças. E é tão bom sê-lo.
O verão da minha infância, poderia passar horas a falar dele.
Sou uma sortuda porque vivendo como vivi os meus primeiros anos em África tinha Verão 12 meses do ano (será por isso que gosto tanto do Inverno?), mas a verdade é mesmo essa. Nas férias que passava lá e era Inverno por cá era a altura máxima do calor. E nas férias grandes (as verdadeiras de verão) embora fosse Inverno por lá estava calor por aqui.
Do que recordo com mais carinho?
Da azafama de sexta-feira para passar o fim-de-semana na praia. Juntávamos casais amigos e levávamos tudo para a praia. Desde de batatas pala-pala (caseiras), a salgados, bolos, bebidas, comida (chegamos a fazer batatas fritas e caldeiradas na praia). Os jogos... o por-do-sol... a água quente nas noites de lua cheia que desenvolveram em mim o gosto de nadar nua...o chegar a casa mais cansada do que quando saíamos... e o desejo que ela passa-se rápido para voltar para lá.
Tínhamos cabanas feitas de folhas de bananeira, com quarto, cozinha e sala como eu dizia. Ninguém dormia mas a verdade era que não havia sono apenas companheirismo de umas horas passadas longe de tudo.
(Morro dos Veados - Luanda)
Depois de regresso a este meu país que amo, recordo as férias do Algarve e saída para a Ilha da Fuzeta... que é de facto um paraíso por aquelas bandas. Água límpida... longos areais sem viva alma onde por momentos dava para imaginar como seria a vida nos primórdios sem televisão, telemóveis ou transito.
(Ilha da Fuzeta - Algarve)
Ou então o retiro delicioso para a Serra da Estrela em plena época baixa onde o sol reflectido nas suas pedras despidas dos brancos da neve parecia reflectir o luminoso brilho de centenas de cristais... e as tarde na piscina solitária do hotel que me permitiam vaguear em pensamentos românticos de príncipes encantados, magos poderosos e sacerdotisas.
(Hotel Camelo - Seia)
Mas mais que isso? Recordo um fim de tarde, com a pele morna na água fria onde me encontrei com eles. Sem barreiras de vidro ou tratadores que os obriga a artes amestradas de saltos...onde eram apenas eles. Afáveis, carinhos e únicos.