Podia-me dar para elevar as mãos aos céus e gritar perguntas inúteis de porquês desnecessários que apenas me levariam ainda mais ao estado de exaustão em que me encontro.
Aprendi se não a aceitar tudo como fado do destino a não me revelar contra ele desgastando o pouco da energia que poucas horas de sono me vai dando.
Confesso-me aqui cansada fisicamente e exausta mentalmente, confesso que nem eu sei bem, que força, me faz ter coragem de me levantar pela manha e aplicar o meu melhor sorriso 27 para iniciar um novo dia.
Vem-me inevitavelmente à mente as frases chavão do costume:
"Depois da tormenta vem a bonança", "Não há mal que sempre dure", mas neste momento é mesmo a frases de 5ª categoria que me soa.
A lei de Murphy é de facto uma lei f@dida que me faz ter vontade de ir ao tempo de quem a criou e fazer com que parisse um porco-espinho a ver se ainda tinha vontade de escrever sobre ela.
Mas a vida é mesmo esta roleta russa de emoções, onde nunca sabemos onde esta a put@ da bala mas que nos faz rodar o carregador com um sorriso fatídico nos lábios, convicto que com certas coisas nem vale a pena lutar.
Existe tanta gente pior que eu, sei bem disso, mas a verdade é que queria que por uns momentos desviassem a atenção de mim e fossem coçar os tomates a outro qualquer, porque por mais "boa" que seja ando um bocadinho farta desta atenção masoquista que alguém me resolveu brindar.
A minha avó esta internada e ninguém ainda me conseguiu explicar bem o motivo disso, mas dói ver aquela mulher de 82 anos que sempre conheci de faces rosadas e enxada na mão, limitada a uma cadeira e a uma cama.
E embora esteja com um ar nada adoentado a verdade é que com esta idade e quando se entra num hospital cura-se uma coisa mas sai-se de lá com quinhentas invenções novas.
Quero-a em casa, do meu lado, ao pé de mim que trato dela melhor que qualquer médico, enfermeiro ou auxiliar, e depois quando caio em mim, agradeço o carinho que essas mesmas pessoas desprendem no seu tratamento.
E se me irrita o snobismo dos médicos, donos e senhores da verdade, principalmente os estrangeiros que pouco falam a nossa língua mas que se sentem no direito de julgar o que não sabem, gostava de saber onde param os nossos médicos que tantas pestanas queimam nos seus anos de estudo, por outro tenho uma profunda admiração pelos enfermeiros e enfermeiras que se têm cruzado comigo nestes já quase 3 anos de overdose hospitalar.
Foram da mais profunda ternura quando o meu pai esteve em coma depois de ter sido operado ao coração, preocupando-se comigo e com a minha mãe da mesma forma quase como se preocupavam com o paciente que tinha deitado inanimado à sua responsabilidade. São agora com a minha avó quase como se netos emprestados, torna-se comovente aliás observar a forma como falam e actuam.
Prova-se a minha teoria que em todas as profissões mais que as notas, deveria prevalecer a vocação para a coisa, já que por mais 20 que se tirem num teste nada cobre o sorriso ou o carinho da hora certa.
Quero uns minutos de paz, acordar de manhã e não pensar de sobrolho carregado o que será que me reserva o dia, mas suspirar desejosa por saber o que me trará de bom esse dia... já não sei o que é dormir sossegada ou acordar descansada.
Dói-me a cabeça de uma forma assustadora, mas já nem lágrimas tenho para lamentar o meu
desassossego e hoje quero ser egoísta e lamentar-me. Só hoje!
Tenho direito a isso não tenho?
Namasté