quinta-feira, 10 de março de 2011

O homem da minha vida

Todas nós em alguma altura da nossa existência tivemos o nosso pai, como o homem da nossa vida. É algo que é inevitável de acontecer, ele é o marco masculino, onde nos baseamos quando olhamos para outros homens.
Para mim o meu pai sempre foi o super-homem… o indestrutível… aquele pilar de força que me iria manter segura mesmo contra a minha vontade!
Estamos a falar de um homem quase com 1.90m, que na minha infância era bastante forte e musculado, que foi Comando para além de Ranger e Minas e Armadilhas, jogador de basquete profissional. Uma pessoa que metia respeito, apenas com a entrada em qualquer ambiente e a criatura mais doce que podem conhecer… ou pelo menos quase sempre a mais doce.
Não posso deixar de imaginar com um leve sorriso no rosto este homenzarrão, a carregar-me quando ainda bebé para dar uma volta comigo de carro, pois era a única forma de adormecer … tirou a boca para me dar de comer a mim e a minha mãe porque pura e simplesmente não sabe dar parte de fraco… tem a mentalidade que o homem da família tem de ter todas as responsabilidades e todos os encargos. A minha mãe, primeiro e eu depois fizemos questão de lhe tirar isso da cabeça.
Tem as suas ideias fixas, é empancado como uma mula, somos os dois, e por isso temos os nossos embates de frente, as nossas discussões acaloradas que acaba sempre com ele a levantar-se e a dar como encerrada a conversa.
Mas mais que um pai é um companheiro que prezo e que amo acima de tudo, temos as nossas diferenças, naturais entre uma mulher e um homem que no seu tempo das maluquices não foi propriamente um santo… vê ainda em mim uma menina pequena o que me deixa louca quando diz coisas que fazem de mim irresponsável em relação a atitudes e vontades.
Mas é pai com toda a força que essa palavra possa ter, pai no sentido de dar colo se estou triste, de sair para tirar satisfações se alguém me deixa perturbada… de arregaçar mangas e lutar lutas que são minhas.
Não me diz directamente que tem orgulho ou que me ama, diz a terceiros que tem sorte na filha que tem, mas mostra esses sentimentos maioritariamente em acções que pouca gente dará valor mas que para mim vale tudo…
Desde de ramos de flores de surpresa a jantares elaborados… não posso dizer que quero que se ele puder faz ou vai buscar na hora!
Só não dá o devido valor a sua vida como eu gostaria que desse.
Há um ano foi operado ao coração… é daquelas coisas que nos faz deixar de sentir os pés no chão com a rapidez com que acontece, num dia estava bem, no outro era internado e no a seguir operado… correu mal a operação… mal no aspecto de ter sido operado duas vezes uma deles no serviço de cuidados intensivos… ficou de coma mais de uma semana… ver aquele homem… aquele poço de força deitado numa cama e entubado é algo que fica marcado na memória com a força de um ferro em brasa…dias duros… ultrapassados!
Pelo menos alguns, porque o homem que era o meu pai não voltou de forma igual, não ultrapassou ainda as limitações de um pós-operatório como aquele que teve… não aceita que tem de ir mais devagar… não entende que não é o poço sem fundo de força que era!
Hoje foi a consulta que marca um ano de ter sido operado e à parte de algumas recomendações, como ter cuidado com o peso, ter cuidado com o come e não se stressar com o que não vale a pena, esta tudo aparentemente bem!
Esperamos agora a marcação dos exames e posterior resultado.
Uma etapa já esta ultrapassada no entanto, que foi o facto de o ter convencido a entrar comigo no ginásio, o exercício é algo de suma importância, não só para manter um peso saudável mas também uma mente estável… fui suficientemente perspicaz para convencer pai e mãe pois se não ia sozinho, não deixa de ir com a “formiguinha” como chama, porque é bom para ela e vão juntos.
No fundo e depois da baldada de água fria que levei hoje, uma das certezas que tenho é que com os maiores defeitos que possa ter, com as teimosias, a falta de cuidado, o facto de me fazer saltar a tampa com parte do seu autoritarismo, que quando estou bem até lhe dou a volta facilmente, ele vai estar sempre ali, de braços abertos e um “beijinho para curar o dói-dói” e mesmo quando já somos grandes e sabemos que não vai fazer passar, sabe na mesma tão bem!
Porque é meu pai, meu amigo, meu super-herói! Porque me conhece como a palma da mão mesmo quando finge que não… porque por mais que me questione não me julga…
Porque as minhas dores, doem mais a ele que a mim…
Porque sei que faça sol, chuva ou trovoada… caia pedra, neve ou granizo… vai estar sempre lá!
Porque sentimentos assim que ultrapassam a barreira da paternidade não são banais… são únicos!
Basicamente porque sim… porque o amo e porque precisava de expressar isso!
Porque como dizia Theodore M. Hesbrugh:
"A coisa mais importante que um pai pode fazer por seus filhos é amar a mãe deles.”
E ele ama a minha muitas vezes mais que a ele próprio…

8 comentários:

Tilida5ever Design-ROSINHA disse...

Belo texto mas difícil de ler para mim que já não tenho cá o meu...E estamos em Março,mês do dia do pai!
Um beijinho ao teu pai para ajudar à recuperação total*

M. disse...

Pois...

Eis um texto que se basta a si mesmo. Feliz quem o pode escrever. Feliz os autores da autora:)


Uma família é isso:)


Parabens!

Nokas disse...

Infelizmente isso não acontece com toda a gente!

Utena disse...

Tilida,

Sinto pela tua perda... nos barafustamos com eles mas só eles nos fazem sentir completas a maior parte das vezes.
Beijinho e obrigada

Utena disse...

M.

Obrigada... uma familia é assim altos, baixos mas sempre presente.

Obrigada :)

Utena disse...

Nokas,

O mundo não é infelizmente perfeito nem justo para todos...

Anónimo disse...

Com um pai assim, o namorado que se cuide lol

Não não é pela altura ou por ser "comanger", é mesmo porque a miss Utena tem um bom exemplo do que um homem, limitado que é por inerência do seu código genético, pode fazer com simples gestos para fazer sorrir uma mulher

Utena disse...

Anónimo,
Cada ser é um ser, mas as comparações são quase sempre feitas insconsientemente.
Não é dificil fazer-me sorrir, basta saber estar presente.