segunda-feira, 26 de setembro de 2011

As boas ideias que poucos usam mas que tanta diferença faria

 
Infelizmente vivemos numa época onde se ser velho é ser vergonhoso… esqueceu-se os que já viveram a quem as rugas invadiram… a quem as dores se instalaram e os músculos se atrofiaram.
Infelizmente esqueceu-se os conhecimentos que adquiriram em tantos anos passados a viver aquilo que nem em livros… nem em anos se vai aprender porque o passado não volta e mesmo que se vivam circunstancias parecidas em nada se igualará ao que já foi.
O mundo passa, as coisas mudam e tudo se transforma e cada dia mais vejo o que foram verdades inquestionáveis ontem a ser mentiras rebatidas hoje.
Quem devia ser respeitado, amado e mimado é humilhado e colocado a um canto como se de um trapo velho se trata-se… balelas! Tanto se aprende com quem apenas quer 5 minutos de atenção para dividir aquilo que melhor tem para dar. Conhecimento!
Sempre adorei passar os meus tempos livres entre eles… ouvindo… absorvendo conhecimentos antigos que me enchem e me tornam não só melhor mulher… mas mais humana.
As lendas que já ninguém se lembra e que os livros vão deturpando, as mezinhas que já poucos sabem e que os livros antigos registam mas que de tão embrenhados nas curas milagrosas da ciência são considerados obtusos e fraudulentos.
Nada me pode deixar mais feliz que passar horas a ouvir os velhos da minha família que ainda me restam a contar histórias que já ouvi 500 vezes mas que devoro como se fosse a primeira… ir passear pelos campos com o meu avô enquanto o ouço dizer em sussurro:
“- Olha neta a erva-cavalinho é bom para o estômago… a barba de milho para os rins… aquela é rosmaninho cheira tão bem… vem cá que ali existem framboesas e é um óptimo anti-oxidante. E para o teu cabelo brilhar o avô vai arranjar sabão de alcatrão!” E eu orgulhosa decoro tudo o que me diz enquanto lhe afago a cara e gravo na memória cada sorriso ou cada piscar de olho, depois de um disparate que dizemos e que nos faz rir como duas crianças livres independente da idade ou do papel que desempenhamos na família.
Esquecemos o que é respeitar quem merece… o simples facto de dizer bom dia por quem passamos cria estranheza a quem o recebe.
Como se pode estranhar que ninguém deixe passar a frente um velho que esta com os ossos cansados de esperar na fila ou mesmo de lhe facultar o lugar num transporte público quando os vimos em dificuldade para se manterem em pé no balanço violento do para arranca.
Ontem vi uma reportagem sobre algo que me deixou um sorriso nos lábios, o Projecto Aconchego que está em força no Porto que consiste em os estudantes se hospedarem em casa de pessoas idosas sozinhas, fazendo-lhes companhia para que não se sintam tão desamparados nem tão abandonados.
Pagam uma quantia irrisória de 25€ e têm casa e alguém que por tão pouco tanto tem para lhes ensinar… e para além de estarem amparados os próprios pais ficam mais tranquilos pois sabem onde os filhos estão e sabem que estão acolhidos numa casa onde se podem concentrar nos estudos.
Têm de cumprir a simples regra de estar em casa durante a semana das 00 horas as 07 horas será assim tão difícil? Segundo aquilo que ouvi na reportagem nem por isso e parece-me ser um projecto vencedor… claro que existe duplas que não se entendem mas na maioria pareceu-me apenas fazer bem aos dois.
Com tantas ideias que apenas levam ao insucesso e a dores de cabeça não era bom pegarem nesta e estenderem a todo o país?
A solidão mata… muitos idosos morrem por causa dela… muitos jovens se perdem por causa dela… divide-se conhecimentos, ideias… melhor que isso? Dividem-se sorrisos mas daqueles que fazem sorrir até quem os vê.
Só espero que se mantenha este projecto pois infelizmente neste país as coisas boas e proveitosas têm a tendência a acabar e a ser substituídas pela mediocridade.
Que cresça e se espalhe por todo o país e que espalhe sorrisos pelos rostos de pele lisa e pela enrugada. E que se veja mais vezes as mãos estendidas entre o novo e o velho porque um não vive sem o outro e certas coisas não deveriam morrer.
Fala-se tanto em tradição, pena que apenas se defendam as erradas.
Já agora imagino que alguns de vós que me lêem possam achar de mau tom eu chamar velhos ás pessoas mais idosas… não o sintam porque quando chamo velho a alguém por quem a idade já passou durante muito tempo faço-o com carinho e com muito respeito… e com muito mais amor do que muitos que ouço chamar idosos mas cujo tratamento que lhes facultam tem muito pouco de generoso.
Namasté

10 comentários:

FireHead disse...

Infelizmente a sociedade de hoje em dia não valoriza os idosos e o conhecimento/experiência que eles têm para nos dar. Encosta-os de lado e considera-os um estorvo. Muitas vezes são os seus próprios filhos que os abandonam em lares, são as crianças que não respeitam a condição natural que significa envelhecer... Esquecem-se que eles já foram novos e que foram eles que tornaram possível o estilo de vida agradável do qual hoje todos nós podemos usufruir. Não sabem que eles lutaram para que nós hoje tenhamos uma vida boa como muitos deles nunca tiveram quando eram mais novos.
Sinceramente considero que poder chegar a velho e morrer é uma coisa muito boa. Há tanta gente a morrer tão nova hoje em dia, seja em acidentes estúpidos, seja por causa de doenças, muitas das vezes fruto da irresponsabilidade e da falta de juízo tão típica da flor da idade...
Eu se não conseguir chegar pelo menos aos 80 anos, não morrerei feliz.

Moi disse...

Também achei um ideia fabulosa!
E adorei o teu texto, aliás fez-me lembrar dos meus avós... tanta sabedoria que eles guardam.

Beijos

Utena disse...

Fire,

A verdade é que a sociedade destroi-se a si mesma com este comportamento egoista e mesquinho.
O novo anula-se porque não aprende com quem sabe... o velho é posto de lado por quem cuidou a vida toda.
Todos perdem...

Utena disse...

Moi,

Obrigada =) por teres gostado.
Era mesmo isto que queria dizer... não se aproveita o que de bom eles têm para dar

Volta sempre
Beijinhos

Eva Gonçalves disse...

Ideias como essa são sempre bem-vindas. Já conhecia esse projecto, não é de agora... e não é para todos, nem todos os idosos se adaptam e nem todos os jovens têm responsabilidade e paciência... :) mas é um projecto muito válido e que poderia ser alargado a outras cidades e outros contextos... Tenho muitas saudades dos meus avós... principalmente das minhas avós cada uma à sua maneira, e aprendi muito, muito com cada uma delas. Beijinhos

Irina disse...

Como se diz por aí, velho já não tem gracinha, velho é complicação. Mas nada de verdadeiro tem esta frase. Aprendemos muito com eles, basta apenas deixarmos de ser preconceituosos. E posso dizer-te que uma das pessoas com quem me dou melhor, tem quase 80 anos, é uma vizinha minha e ela é um amor. Passo horas com ela e não me canso.

Mil pétalas...

Utena disse...

Eva,

Claro que nem todos se adaptam mas existam tantos que sim e que podiam estar neste momento a dividir momentos =)

Aprende-se sempre tanto com eles

Beijinho

Utena disse...

Irina,

Olha-se para os velhos como incómodos... como se já tivessem passado do prazo.
E diz-se a cultura ocidental evoluída.

Beijinho

Anónimo disse...

Pois é, já tinha ouvido falar desse projecto Aconchego e como alguns países da europa o querem replicar. É um projecto fantástico e sem custos quase nenhuns, trata-se apenas de utilizar recursos que estão disponíveis. É optimo para os mais novos e para os menos novos!
O teu texto fez-me lembrar das minhas avós... que já não estão entre nós.. os meus avôs só conheci um... já não tenho o privilégio de conviver com nenhum deles, pois já faleceram, mas continuam no meu coração e cada velhinho que vejo lembro-me deles... pessoas cheias de histórias, experiências com as quais podiamo e deviamos aprender.. invejo as culturas em que os velhos são valorizados precisamente por isso! Está mais do que na altura de o fazermos na nossa cultura... porque eles precisam e nós deles, mais agora do que nunca!
Beijinhos grandes aos meus avós!
E a ti querida amiga, obrigada por nos ires lembrando do que é verdadeiramente importante!
beijos grandes,
OlgaM

Utena disse...

Olga,

Verdade que as vezes temos aqueles babosos rebarbados que dá vontade de lhes dar uma palmada mas na maioria apenas querem 5 minutos de atenção e um pouco (de merecido) carinho.

Esta na hora da nossa cultura aprender a respeitar quem merece =)

Beijinho minha querida obrigada pelo carinho