quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Sou assim... então lidem com isso. Vão ver que até vale a pena

Tenho mau feitio não é charme da minha parte, nem coisa que tal. Aliás é uma triste constatação da minha parte, acredito que seria um pouco mais feliz se o conseguisse controlar mais, ou ter em menor escala.
Mas não e portanto aprendi a lidar com ele, e o facto de o ter assumido criou também em mim uma forma mais fácil de ver a vida. Aceito-me como sou e vou-me mordendo ligeiramente todos os dias para controlar o veneno.
Até a pouco tempo atrás era politicamente correcta e andava constantemente em estado de ebulição e essa acreditem não é uma forma fácil de viver.
Andar constantemente de mal com mundo… a ver as falhas e a saber quais são e quais as soluções para as mudar e não falar é terrivelmente castrador.
O boom que se seguiu quando deixei de reprimir o que sou e o que sinto passou do 8 ao 80… e criou-me junto com isso uma longa lista de inimigos… e muitos deles ex-amigos, a culpa apenas pode ser atribuída a mim… fui eu que os habituei a ser calada e pacifica… fui eu que do nada os mandei apanhar onde o sol não entra… sem apelo nem agravo… nem aviso prévio.
A sensação de poder que isso me trouxe posteriormente foi inebriante e intoxicante… passei da menina que pouca opinião expunha, á louca que todos tinham medo que dissesse alguma coisa… e eu adorava isso. Adorava sentir o medo, mesmo com ódio camuflado que fazia sentir.
Fui má porque sim, pelo simples prazer de atirar para cima de outros a minha própria frustração… No fim sei que quem mais sofria era eu embora não o conseguisse admitir.
Hoje e com a experiencia que a vida me trouxe, experiencia essa que nada tem a ver com a idade, consigo colocar um meio-termo na coisa…
Consigo aliás misturar ironia na resposta o que torna as coisas não só más mas péssimas… mas a verdade é que querendo eu ou não é algo que nasceu e se foi aprimorando comigo e as vezes quando eu vou a ver já foi.
E quando trabalhava na outra empresa era muito mais fácil que ele saísse cá para fora, fosse o interlocutor chefe ou colega, porque eu sou a primeira a ajudar mas também a primeira a apontar o dedo… o problema? È que raramente deixo brecha para que o façam comigo… sou observadora ao máximo e tenho sempre na minha mão uma pedra para atirar na hora certa e nunca deixo o meu entulho para trás para que o possam fazer. Mas quando as coisas acabam por deixar de me dar vontade de lutar… de protestar para que melhorem, pois o protestar por protestar nada têm a ver comigo… bato com a porta e sigo caminho. Crise ou não crise sou assim mesmo… tenho duas mãozinhas para trabalhar e vontade de o fazer.
Agora na loja e sendo um contacto directo com o público, muitas vezes o veneno tem de ficar na sua cápsula e a mesma tem de sorrir para a causa que o atrai… mas outras vezes não consigo é mais forte do que eu.
E ultimamente a desonestidade de certos comerciantes que fazem promoções quando não devem, e dão as peças ou porque as roubam ou porque as vendem usadas ou por o c@aralho que os lixem (uma asneira chega), ou o oportunismo dos clientes que se valem da crise e da procura estar mínima e tentam brincar com o desespero de quem é honesto e só sabe ganhar a vida assim, não só não o consigo como pura e simplesmente não quero.
E acreditem nisto com um tom de voz doce, um sorriso na cara e uma forma subtil de os mandar bardamerda tudo se pode.
E a prova disso é mesmo isto, entra-me uma madame na loja, daquelas com o nariz empinado que não parece que está a ver a roupa mas a limpar as mãos (o que só por isso me deixa em ponto de ebulição) e diz:
- Ouça tem estas em azul? (Nem Bom dia nem Boa tarde)
- Bom dia (sorriso 35 em ponto enviesado) tenho sim eu vou buscar.
- Preço?
- Bom dia (já a trincar a língua e a pensar não a mandes pró pai de todos nós controla-te) xyz€
-Ai credo isso por acaso é preço de crise?
-Não minha senhora é preço de qualidade. Vai experimentar ou só vinha mesmo ver?
- Vou pensar e logo lhe digo.
- Com certeza. Bom dia e muito obrigada.
E isto tudo com um sorriso nos lábios e uma vontade enorme de lhe dizer:
- Ouça lá oh pindérica de trampa, o chinês é no andar de cima, vai lá compra a malha, made com material extraído do plástico, que lhe vai causar uma alergia que se vai roçar pelas paredes até fazer sangue. Mas antes disso passe por aqui a pedir um saco, porque tem vergonha que saibam que compra lá que eu digo-lhe onde o pode enfiar.
Mas não disse… aguentei firme e forte e acabei com uma dor terrível no estômago desconfio eu que ou foi da força que fiz para não sair disparate, ou do veneno que tive de ingerir para não o deixar sair.
Mas mantive-me firme.
Hurray para mim.
BTW: A madame acabou por vir buscar a peça… e levou mais algumas com ela… diz ela que não podia deixar de lá voltar pela simpatia da empregada.
Compensou certo? O q.b. não funciona bem apenas na cozinha =)
Namasté

20 comentários:

FireHead disse...

Eu quando tinha o restaurante também cheguei a lidar com muita merd@... gente estúpida, gente aproveitadora, gente espertinha e, o pior de tudo, gente que nos ficou a dever dinheiro. Um deles tinha uma dívida que ascendia os 100 euros, mas teve um ataque qualquer e foi desta para melhor... fez-se justiça? Claro que não. Eu queria que ele estivesse ainda vivo e que nos tivesse pagado o que nos devia...

Isso só para dizer que trabalhos que envolvem contacto directo com as pessoas não são nada fáceis. É preciso ter um enorme estômago e paciência, mas como eu sou um gajo que ferve em pouca água...

L* disse...

Ora cá está uma lição ;)***

Utena disse...

Fire,

Mas nem sempre se pode. É complicado é!
É justo? Não!
Mas é a vida

Beijinho

Utena disse...

L*

Então já valeu a pena =)

Beijinho

Anónimo disse...

Realmente quem lida com o público fica mais exposto a esse tipo de situações: a ter de ser simpático com quem, não só não o é como é mal educado e com a mania que é mais do que os outros. Tem de se manter o sorriso na cara e uma palavra simpática, mas acredito que muitas vezes deve ser muito muito dificil!! E isso não tem a ver com mau feitio.. nem acho que o tenhas :) apenas retribuis aquilo que te dão. É certo que nós mostramos aos outros como queremos ser tratados e muita gente interpreta um silencio ou um não expor uma opinião com alguem submisso o que, como sabes não é verdade, e depois quando dizemos algo mais certeiro tu é que és a má da fita...eu não me importo nada, sabes? Também já me deixei disso... dizem que sou resmungona, talvez seja, mas ao contrário de ti, faz mesmo parte do charme, lol! ;)
beijinhos,
OlgaM

Nokas disse...

Ai...eu torcia-me toda para não a mandar à merda!!! :)

Catarina disse...

Olá Utena, bem, tenho-me vindo a habituar a dizer tudo o que penso a quem o posso dizer, não dou aval a que entre na minha vida quem não me apraz que entre, não sou simpática nem antipática para quem não tenho de ser ou para quem não me apetece ser, não dou palmadinhas nas costas a quem não me diz nada só para ser simpática, no entanto dou-me em tudo (no bem e no mal!) aos meus e a quem gosto, mas como costumo dizer a este grupo de pessoas "para o bem e para o mal estou aqui, a ti me entrego" e estou mesmo! Prefiro gastar o meu tempo com o que gosto do que a falar mal do que não gosto ou não me diz respeito ou não quero que diga respeito... Em traços gerais relativamente à simpatia sou assim...

Nas questões de trabalho, a porca torce o rabo, em linhas gerais, vou contar o que me aconteceu, há pouco tempo, dois senhores vieram há procura de determinado artigo, azucrinaram-me tanto tanto mas tanto! Ninguém imagina! E era sempre a dizerem a mesma cena " eu arranjo isso a menos de metade do preço, zimba zimba zimba e ele a dar-lhe (era só um deles que era chato o outro, que até era o comprador era pacífico!) no terceiro dia rebentei! Só lhe disse "o Sr. tem respeito pelo meu trabalho? Então se tem, e se consegue arranjar o artigo mais barato, está aqui a fazer o quê?"! Não consegui, juro-te, não aguentava mais sorrisos amarelos, ele foi-se embora para reflectir no que tinha dito, cerca de duas horas ligou para encomendar, devo ter conseguido o respeito dele, até aquele momento devia ver-me como uma miúda que tinha obrigação de o aturar...

A directora técnica de uma farmácia onde trabalhei tinha uma frase genial que era, deve-se tratar os utentes como se tivéssemos uma mão de ferro vestida com uma luva de veludo!

Já tive muitas cenas em dois anos de trabalho, já me deixaram a chorar, já me ofereceram porrada por não querer vender um antibiótico, já me roubaram os medicamentos do balcão, já me ficaram a dever dinheiro de medicamentos (no primeiro mês de trabalho, se aparecesse alguém a queixar-se que não podia pagar os medicamentos, mesmo que fossem três euros, eu pagava!) Só para veres a minha susceptibilidade a oportunistas que tinha na altura...

Mas o que é facto é que tudo isto serve para crescermos, mas neste momento eu só sei é que a minha avó costuma dizer "filha, quanto mais nos curvamos mais nos vêem o rabo..." Tem de haver meio termo para tudo!
Desculpa o testamento, acabei por alongar-me mais do que o pretendido...

p.s. Pode não parecer depois deste testemunho, mas eu sou uma pessoa extremamente meiga e carinhosa e simpática (sou mesmo, acho que até meto nojo :p de tão simpática!), só que viro bicho quando acho que estão a ser maus para mim, tenho mesmo mau feitio...

TERESA SANTOS disse...

É preciso uma grande paciência, sem dúvida, mas...?

Mas vês que valeu a pena?!
Aprender a "engolir sapos" faz parte da vida.

Custa muito, custa.
Ups, não me batas!!!!

Beijinho.

Martini Bianco disse...

Eu já trabalhei cara a cara com o cliente (hoteis) e agora à distância, e apesar de preferir o cara a cara, é algo muito mais exigente, especialmente quando os outros nao se portam bem e quando não estamos nos melhores dias.

Ainda bem que correu tudo bem nessa situação e que ela comprou mais que uma peça.

:)

Álvaro Lins disse...

Ainda bem que a mim me trazem a roupa a casa!:).
Mas eu também voltava à loja pela simpatia da funcionária! Pelo que se vê na foto! Lollll
Já fui!
Bjo

Marco disse...

Ai ai minha morena, plus ça change, plus c'est la même chose, só quem esteve ou está atrás de um balcão é que sabe a cromaria que nos aparece à frente.

Mas olha lá, eu nunca te conheci politicamente correcta, ainda bem porque provavelmente não teríamos dados tantas gargalhadas.

Beijos grandes.

Utena disse...

Olga,

Vá confessa que me querias chamar resmungona.
E sim é difícil de fazer sorrisos 35 e levar as coisas com calma com algumas libélulas que por cá andam mas vamos contornando as coisas.

Beijinho

Utena disse...

Nokas,

Eu já passei essa fase... agora mando-as mas diplomaticamente =)

Utena disse...

Catarina,

Não tens de pedir desculpa que aqui expões as tuas opiniões no cumprimento que quiseres.
E acredita que não duvido que sejas um doce de rapariga

Beijinho

Utena disse...

Teresa,

Eu batia-te lá agora mulheri e sim eu sei que é preciso engolir uns sapos de quando em vez

Beijinhos

Utena disse...

Martini,

É preciso saber manter os saltos embora as vezes apeteça calçar os tamancos.

Beijo

Utena disse...

Álvaro,

Nada de ires volta lá e fala da simpatia que a moça gosta =)
E roupa a casa com que então... é só mordomias

Beijo

Utena disse...

Marcos,

E apanhamos algumas aves raras... mas sabíamos dar a volta.
Quando nos conhecemos já andava na minha pós graduação de cabrice...

E a verdade é que bens nos divertíamos.

Beijo

Coisas de Feltro disse...

Às vezes é dificil. Acredita que sei o que isso é. E não, o cliente não tem sempre razão. O problema é que algumas pessoas têm espirito de bordel. Acham que basta acenar com as notas e os outros fazem o que ele quer. Isto nem estou a falar no plano fisico da coisa, compreenda-se.
Mas o mais importante de tudo é não deixar que seja o cliente a definir o rumo da conversa e o nosso estado de humor. Não lhes dar esse poder.
Mas isso tu sabes, de certeza...
Um beijinho

Utena disse...

Coisas de Feltro,

Sim sei, mas vou sempre aprendendo e aperfeiçoando

Beijinhos grandes