quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Nada como começar com um assunto delicado...

Ora então vamos lá voltar a escrita, e nada como começar com um tema digamos que polémico/delicado.
Hoje em dia, infelizmente, o que por aí mais abunda são filhos de pais separados que dividem as suas vidas entre a casa do pai e da mãe... entre a namorada do pai e da mãe e entre as acusações que existem muitas vezes entre eles.
Não tenho filhos, mas vivo num entanto a situação retratada em cima e posso desde de já garantir que não é nada fácil geri-la.
Por um lado porque nunca sei até que ponto cruzo uma linha que não devo e que irá baralhar mais a mente da criança, por outro porque certas coisas não tolero e tenho de assumir um papel que muito provavelmente não me pertence.
Sendo uma pessoa bastante fria quando analiso as situações, faça eu parte delas ou não, não posso deixar de verificar que muitas vezes essas mesmas situações são usadas pelas crianças como uma espécie de chantagem dissimulada, que instiga sentimentos de culpa nos adultos responsáveis e que se julgam donos e senhores da situação.
Para mim uma criança não é nem nunca foi sinónimo de burrice onde a facilidade de ilusão é algo garantido, sempre as tratei como seres pensantes, extremamente inteligentes e com uma enorme capacidade de manipulação.
São crianças!! Provavelmente é o primeiro pensamento que vos irá saltar a cabeça... e a isso eu contra-argumento com a frase: "E então?". Lá por serem pequeninas e fofinhas e dependentes, passam a ser burras? A minha avó tinha uma frase que ainda hoje me bate na cabeça... "uma criança coloca um adulto na prisão!" e a verdade é mesmo essa... na sua inocência inquestionável muitas vezes são pequenos terrores.
Por isso e observando o que me rodeia não posso deixar de questionar o que estaremos com o nosso comportamento a criar para o futuro.
E atenção, com isto não estou a querer dizer que um casamento deva ser mantido apenas pelas crianças, já que aí ainda será pior a emenda que o soneto, mas não estará na altura de assumir as coisas pelo que são?
Uma criança deixa de ter de ser orientada, de manter regras, de dever obediência apenas porque tem os país separados?
Não deverão os pais colocarem as diferenças de lado e aprenderem a coagir como seres humanos pelo bem estar da mesma?
Um exemplo fácil a associar aqui é uma reunião de negócios, quantas vezes nos apeteceu partir as trombas ao tipo que temos a nossa frente e não o fazemos pelo bem da negociação que esta a decorrer? Quantas vezes não assumimos um papel que não gostamos para o bem da nossa empresa e do nosso ordenado?
Se o fazemos nesse caso porque não o fazemos para o bem estar do ser que colocamos no mundo e não nos pediu para o fazermos?
E no caso contrário, quantas vezes tivemos de ser duros e intolerantes com situações que nos apetecia deixar passar pelo bem do nosso carcanhol no final do mês? E não o fazemos com quem temos o dever de educar porque?
Por medo que deixem de gostar de nós? De serem influenciados pela outra parte?
A sério???
E depois? Quando estes mesmos infantes assumirem a sua vida adulta e forem espezinhados e trucidados por um mundo que não se coaduna com a sua qualidade de filhos de pais separados? A quem irão eles atribuir a culpa?
I wonder!
Namasté!

16 comentários:

Sil disse...

Minha querida,

Tenho em casa o resultado de uma separação, e o fruto dela, e posso dizer-te, concordo em pleno.
Assim, como não deixam de gostar de nós, darão mais valor quando um dia se derem conta de lhes demos armas para sobreviver às agruras da vida e aproveitar o que de bom o mundo tem para nos dar.
Como dizia a minha avó, numa frase que sempre recordo... "quem dá amor, também dá educação", não significa que pelo facto de serem crianças não sejam tratadas como gente que pensa, que se individualiza, e que faz chantagens, e que tem defeitos de gente grande.... cabe a nós orientar, para isso somos pais e mães. Comprar amor para mim nunca foi opção... pelo que me conheces é bem mais real eu ser a má da fita!
:)))







beijocas
Namasté! _(<3)_

Utena Marques disse...

Sil,

A verdade é mesmo essa, muitas vezes a educação é dura mas é pelo amor que se lhe impõe!

Beijinhos e força

Alexandra disse...


Hello darling,

Conheço bem a realidade que retratas ao ser filha de pais separados e por estar num relacionamento onde o meu namorado é pai de dois adolescentes.
Ser filha de pais separados obrigou-me a crescer e amadurecer para defender-me do tal mundo hostil que abordas no final do teu texto. Ainda assim, apesar da separação, nunca ouvi a minha mãe dizer fosse o que fosse do meu pai e nós, eu e o meu irmão, nunca nos desligámos dele... já o contrário.

Quanto ao meu namorado aquilo que observo tantas vezes é a existência de chantagem emocional pela parte da ex-mulher e os miúdos momentaneamente também embarcam nessa onda não atendendo a chamadas telefónicas do pai ou quando atendem têm respostas curtas e frias como se estivessem com ele todos os dias. Outra coisa que noto é a necessidade da mais nova falar constantemente da mãe e da vida que levam com o padrasto.

Nós que não passámos pelos problemas que levaram à separação do ex-casal e, mesmo no campo de educação dos miúdos, temos a objectividade que a isenção que nos confere para avaliar as situações. Somos uma mais valia em todos os sentidos e podemos, devemos ajudar o nosso parceiro nesta tarefa árdua de educar alguém que não está com ele todos os dias. Além de que connosco surgem a estabilidade emocional que se perdeu no meio de tantas guerras.
No entanto, há algo que devemos ter sempre em mente não podemos na maioria dos casos agir directamente sobre as crianças, a nossa acção deve ser executada através da figura paterna.

Hoje, infelizmente, as crianças raramente sabem a verdade sobre aquilo que as rodeia. Crianças ou não, devem saber sempre toda a verdade, doa ou não. Eles não podem alienados correndo o risco de tornarem-se adultos extremamente influenciáveis e imaturos.


Beijinhos Paula! :)

Utena Marques disse...

Alexandra,

Concordo em tudo, devo no entanto salientar que as crianças podem e devem saber que como companheiras do pai temos uma figura de autoridade que não devem questionar.

Beijinho

AC disse...

as crianças são manipuladoras e sob a capa de coitadinhas sabem muito bem chegar aos fins que pretendem. No caso de pais separados, manipulam um e outro e fazem chantagem com cada um à vez até conseguirem o que muito bem querem. espertinhas.. Há que abrir bem os olhos.

Beijinho grande Guerreira

Utena Marques disse...

AC,

Concordo, sim existem crianças manipuladoras e pais parvos.
Existe o contrário.
Mas o que deveria existir era cuidado na educação do que será o futuro.

Beijos grandes

Anónimo disse...

Há que educar com amor.. nao comprar afectos, mas fazer perceber que a vida por vezes nao é com o pai e a mãe juntos.. é com eles separados. Se é dificil para quem decide separar? é! se é dificil para a criança? é! se é dificil para o pai que fica sem o filho semana sim semana não? é horrivel, doi demais.. eu ja vi isso de perto! mas mais horrivel é dar um mau exemplo e nao munir a criança de armas para se tornar num bom adulto, ponderado, generoso e que acaba por perceber que apesar dos pais serem separados o amam muitooo... é perceber que a vida nao termina com a separação... é só o começo de uma nova fase, de crescimento para pais e filhos, que infelizmente acontece!

beijinhoss e força para todos aqueles pais separados que diariamente se culpam por nao estar sempre com o seu filho...
OlgaM

Adriano Levi disse...

O teu texto revela uma das mais frequentes dúvidas que assolam a maioria dos adultos.
No entanto, as crianças na sus inocência, são cruéis!- Vem nos livros, amiga.
As crianças na sua inocência, são manipuladoras.
É com estes traços que temos de saber viver e tentar educar.
Como dizia Piaget, se uma criança tem uma zona almofadada no fundo das costas é para ser utilizada. Por vezes uma palmada (não estou a defender maus tratos, longe disso), é a melhor solução para uma birra; que às vezes não atalhada a tempo pode "descambar" em conflitos mais graves.
Abraço

Utena Marques disse...

Olga,

Sim é uma verdade, a culpa que existe nos pais muitas vezes é usada pelas crianças mas há que saber gerir isso por forma a existir uma vida pós casamento e pós filhos.

Beijos mana

Utena Marques disse...

Adriano,

Concordo sim senhor, é preciso uma palmada de vez quando para colocar a responsabilidade na altura certa.

Beijo

Sonho da Escrita disse...

Tinha saudades de te ler :)
Beijinho e ate ja

Eolo disse...

Aqui já te reconheço, e mais uma vez sejas muito bem tornada.

O tema é de facto complicado, muito complicado e as crianças são cruéis e manipuladoras e fazem trinta por uma linha para obterem o que querem.

Mas também são crianças, com uma visão de criança das coisas em que depende da forma como a namorada(o) do pai? Não queria nada estar nesse papel, mas a minha mãe esteve, viu-se a braços com uma criança recém-nascida e um menino de nove anos de outro casamento, não foi fácil mas ela soube geri-lo, fossem todas como a minha mãe e nestas coisas pudesse eu ser mais parecido com ela. De início a minha foi apresentada como uma figura de autoridade, como a mulher do pai e que tinha domínio na casa, ela é que ditavas as regras e ela é que sabia quando podiam ser quebradas, foi ela que fez com que o meu irmão não fosse castigado por fumar, foi ela que apaziguou o meu pai num casamento decidido às pressas e foi ela que o levou ao altar, e no fim o ganho que ela tem é uma pessoa que a abandonou nas piores horas e ficam apenas as acções dela, das quais nunca me esquecerei.

Se numa criança de nove é complicado, imagino uma de três que também vivi essa situação e no universo delas baralham-se, o pai torna-se figura ausente e na maioria das vezes fazem de tudo para ter a atenção dele, se não têm aquilo que consideram suficiente, exigem e chantageam.

Quanto às terceiras que pessoas que são apanhadas a meio, é o pai/mãe que deve decidir até onde é que a pessoa tem autoridade, no meu caso o meu pai confiou todo à minha mãe, mas eram casados à nove anos e é diferente de uma relação menos longa, mas cabe ao pai/mãe definir, mas depois temos o/a ex que por sua vez não sabemos de que forma é que apresenta as coisas à criança, quer queiram, quer não, as crianças estão na maioria dos casos com a mãe e ela pode ser conciliadora ou incitar à discórdia. É preciso um cuidado extremo na maneira como apresentamos as coisas às crianças que por um grande espaço do tempo cedem aos impulsos do ego, na maioria egoístas.

Se a criança faz algo que tu não concordas mas o pai está presente, o pai que haja, senão agir acho que o melhor será falares com ele depois e a tua posição ser fortalecida com o passar do tempo, numa criança que já não tem o pai a full-time, a companheira passa a ser um alvo a abater e ali o complexo de Elektra a fazer das suas.

Também concordo quando dizes que as crianças não são automaticamente burras por serem crianças mas, dependendo da idade, podem não conseguir perceber a complexidade das relações em casal para além de pai + mãe.

Acho que o que te preocupa não é só aos filhos de pais divorciados, mas a todos, que valores é que estamos a passar às crianças e aí estou de acordo quando vejo crianças de 8 anos com um iPhone que claramente necessitam.

Não é fácil... nada fácil.

Utena Marques disse...

Sonhos de Escrita,

E eu confesso que tinha saudades de escrever.
=)
Beijo

PS: O teu pedido foi acatado :*

Utena Marques disse...

Eolo,

Não coloco em altura nenhuma a culpa nas crianças, aliás elas fazem o que melhor sabem que neste caso é sobreviver a uma situação que não foi criada por elas.
Referia-me a 100% a crianças dos pais divorciados, as restantes são outros 500... continuo a achar que uma boa e sonora palmada resolveria 99% dos casos de má formação e educação mas a ser dada não deveria ser apenas as crianças mas também aos pais.
Assusta-me sim aquilo em que se estão a tornar as crianças desta época...

Beijinho e obrigada

Ana disse...

Olá, linda.
Sem dúvida que escolheste falar, num assunto muito polémico.
Como sabes, sou separada e com um filhote, mas também já vivi o outro cenário, em que assumi o papel de mãedrasta. E pois que tanto um, como outro são difíceis.
No primeiro, há que saber gerir muito bem, as condicionantes de uma separação (acima de tudo respeitar o nosso rebento, como ser humano, não um brinquedo ou um joguete ao sabor das emoções dos adultos). A situação ideal seria que os pais, soubessem transformar a relação que os uniu em prol da criança, pondo de lado tudo o resto que não lhe diz respeito. Infelizmente, nem sempre acontece e há muitos pais que se "divorciam" dos filhos.
No segundo, perceber qual é o nosso papel como recém-chegadas à vida dessa pessoa e não atropelar a autoridade parental (sim, porque os pais e as mães, não desaparecem só porque já não estão casados/juntos). A nossa suposta autoridade tem que ser reforçado pelo progenitor e não deve nunca ser imposta, só porque sim. Conquistar a confiança é fundamental, e o respeito mutuo é algo que se constroi, aqui, como em qualquer outro tipo de relação.
Quanto às criancinhas, pois concerteza que são mázinhas e manipuladoras, mas somente na medida que as deixarmos ser. Questionar a autoridade, faz parte do processo de crescimento de qualquer criança saudável e se assim, não fôr, é na minha opinião preocupante e revelador de que alguma coisa não está bem, na cabecinha dessa criança. Para mim, é importante que assim seja, porque é nessas ocasiões que nós adultos traçamos a linha do que é ou não aceitável. Educar não é uma tarefa fácil, porque tem que ser feita diariamente e não se compadece se estamos cansados, irritados ou sem paciência... a verdade, é que temos que estar sempre lá, atentos aos sinais. E às vezes, educar, "doi" (falo por mim): saber dizer "não", na altura certa e ser "inflexível/convicto" até ao fim.
Acima de tudo, nunca devemos mentir às crianças ("dourar a pílula"), mas também não devemos fazer delas, fiéis depositários dos nossos desentendimentos/desavenças/preocupações, principalmente quando ainda são pequenas e têm pouca capacidade de gestão emocional.
E pronto, era isto.
Beijinho e continua a escrever.

Utena Marques disse...

Ana,

Quando decidi escrever sobre este assunto sabia que iria aventurar-me por areias movediças, mas também sabes que ser morna não é um estado em que me inspire.
Penso que mentalidades devem ser abanadas e que se deve questionar que tipo de educação é esta onde os filhos mandam nos pais.
E mesmo que faça pensar poucos, aqueles que me lêem pelo menos a semente ficará por lá certo?
Obrigada o teu "era isto" acrescenta em muito o meu tenho dito.

Beijinho