segunda-feira, 14 de março de 2011

Linguagem

Na sequência de algo que me aconteceu na quinta-feira, que poderia ter destruído uma amizade de longa data, dei por mim a pensar na lacuna que a geração de hoje em dia tem a nível de linguagem.
Passamos tanto tempo por detrás das teclas, isolados de tudo e de todos, mas ao mesmo tempo tão perto de supostas virtuais amizades que nem nos apercebemos da falta que a linguagem corporal, assim como o tom da voz ou um simples olhar pode mudar a percepção de uma afirmação, ou transformar uma certeza numa subtil dúvida.
Já aqui disse que uma das frases sistematicamente repetidas pelo meu professor de português, alguém que me marcou bastante, era:
“Um texto tem 3 interpretações: o que o autor queria dizer, o que o leitor entende e aquilo que realmente o texto significa”
Sempre concordei com ele… a escrita tem um poder muito forte pois… fica registado… por isso os antigos sábios, feiticeiros os xamãs nunca escreviam, não deixavam registo, as suas formulas mágicas eram passadas de sucessor para sucessor de boca para ouvido… era guardado na memória de cada um… herança passada após provas de valor e merecimento. Tinham assim a certeza que nada era mal interpretado ou usado.
Tento ter sempre cuidado com o que escrevo, foi aliás uma mais-valia que trouxe do meu trabalho, penúltimo antes da virada a caminho do sonho, os meus e-mails eram sempre verificados e alterados quando necessário com a devida explicação do porque. Comecei a criar regras que mantenho inalteradas e usadas sempre que tenho necessidade de mandar uma mensagem profissional. Pois uma virgula fora do sitio e temos o caldo entornado com interpretações erradas e mal entendidos que podem originar problemas muitas vezes inultrapassáveis.
Tenho por regra também recusar-me a ter certas conversas por sms ou msn (as siglas mais usadas ultimamente), e acreditem que quando essa regra é quebrada dá por norma o que se costuma chamar de uma bela de uma bosta, e foi isso que aconteceu dia 10.
 Certos tipos de conversa, pessoais ou profissionais, devem ser uni exclusivamente feitas na presença do receptor, pois apenas com a linguagem corporal, o olho no olho, o tom de voz conseguimos ter a perfeita noção que se quer dizer ou expor sem dúvidas ou falsas certezas.
Evitamos magoar e ser magoados, ficar com ideias erradas…
A verbalização é sempre uma forma de termos a certeza que quem esta do outro lado vai ter a capacidade de nos interpretar da melhor forma e mesmo que assim não o faça nós vamos ter a facilidade de o detectar e se tal acharmos necessário expor as coisas para que seja entendido correctamente.
Basicamente é como se costuma dizer: “vivendo e aprendendo” e uma coisa podem ter a certeza, cometer o erro que cometi na quinta-feira nunca mais, pois não fosse a rápida intervenção de um amigo em comum para amainar ânimos e a vontade de manter uma amizade que esta impressa na alma, tinha perdido não uma amiga mas uma irmã.
E uma coisa que teve proporções graves de ofensas, teria sido banal se regras fossem mantidas…
Lá se ia o trio maravilha livra!
Era mesmo só isso que me faltava para compor o ramalhete.

6 comentários:

Coisas de Feltro disse...

Só me ocorre "tudo está bem quando acaba bem". Não é lá muito original, mas soube-me bem dizê-lo agora. bjs

Nokas disse...

É verdade, o teu professor tem toda a razão...

Utena disse...

Coisas de Feltro,
É um cliché é verdade... mas aqui calha tao bem :)
beijos

Utena disse...

Nokas,
Sim sem dúvida ele era um homem sábio

foxos disse...

Não querendo cingir-me ao caso específico e falar dele em concreto (pois não me diz respeito nem interessa nada), isso acontece mtas vezes, mal-entendidos por msn ou sms. Mas não menos frequente é utilizado como uma boa desculpa passado umas horas de estar frente a frente "Não percebeste ou eu expliquei-me mal, não era isso que queria dizer..."

Utena disse...

Foxos,

Sim é verdade, aliás isso é usado várias vezes quando se quer magoar alguém e não sofrer com as consequências...
Mas como tudo e em tudo o facto de estares frente a frente premite-te antecipar isso