quinta-feira, 14 de julho de 2011

Breathe

Vivemos a vida tantas vezes cegos aos outros que podias pensar que a passamos como se vivemos através de um nevoeiro.
Aos outros e a realidade das coisas também! Acho maravilhosa a capacidade que as pessoas tendem a ter de ver as coisas como lhes interessa e não como na realidade são. Filtros! È isso! Em alguma altura na evolução da espécie alguns adquiram filtros que lhes permite ver as coisas apenas como lhes interessa.
Ou colorida demais ou a preto e branco!
Para eles o copo ou está sempre meio vazio… ou constantemente meio cheio! Não existe meio termo… capacidade de argumentação! Nada faz com que mudem a visão das coisas mesmo que estejam a caminhar a passos largos para um precipício.
Já alguma vez estiveram num país tropical? Já sentiram o ar abafado como se estivessem a respirar e movimentar-se dentro de água… sufocados… peganhentos do suor que se instala em cada um dos vossos poros no segundo que saem de casa… É assim que me sinto com essas pessoas… sufocada… claustrofóbica!
Não consigo falar com elas… perco a paciência com uma rapidez que me assombra os sentidos porque estão presos as suas verdade absolutas e as suas certezas apocalípticas que os impede de ler as entrelinhas ou de ver as formas numa bela nuvem que tantas vezes me faz lembrar o algodão doce das festas populares.
Como é possível as pessoas acomodarem-se a sua vida que as faz estarem infelizes… medo do fracasso… receio de agarrar a vida por entre as mãos e que ela fuja pelos dedos como se areia fina se tratasse?
Não é essa a beleza da vida? O evoluir… arriscar! Perseguir sonhos mesmo que não os consigamos alcançar…
Vivemos em tempos estranhos… sombrios mesmo, onde nunca foi necessário tanto termos vontade de agarrar o mundo com os braços e as pernas… e lutar pelo que desejamos… mas olho á volta e vejo apenas pessoas agarradas ao que é normal… acomodadas a uma vida que não desejam… de mal com tudo e com todos inclusive com elas mesmas.
E no meio disto vejo pessoas únicas… loucas na sua maravilhosa maneira de ser… marimbando-se para o que supostamente é correcto… vivendo a vida com vontade e intensidade como se tratasse do último dia no mundo! E apontadas como loucos… como estranhos! Isolados do mundo certo de lei hipócritas impostas por quem não as vive… limitativas para quem as segue!
Já fui uma moça de me bater sem pensar em baixas… cicatrizes… sem me importar com as desilusões! Sem querer saber das facadas nas costas… das injustiças e das ofensas que era alvo porque me importava e me entregava demais…
Hoje não quero saber… não me julguem sacana quando digo isso… mas não quero!
Cansei-me do politicamente correcto… de ser sempre o que esperam que seja… de me rir das anedotas certas… de fingir que está tudo bem!
Mantenho as batalhas… mas por mim… luto por mim e pelos meus! E sinto borboletas na barriga com medos absurdos e sonhos irrealistas em que me empenho para ganhar… e ouço a apatia que me rodeia da mesma forma que a selva ouve o piar das aves e o sussurro dos seus pequenos animais… abafados…

16 comentários:

Anónimo disse...

Já fui o inverso....a pessoa que ria sempre das anedotas certas, que fazia o que era esperado...talvez devido à idade, abri os olhos e comecei a viver a vida, não sigo regras, não sigo o politicamente correcto...vivo e persigo "sonhos mesmo que não os consiga alcançar"... a beleza da vida está aí no correr riscos, no atirarmo-nos de cabeça, no sentirmos aquele arrepio na espinha antes de saltarmos para o desconhecido, o sermos verdadeiros connosco e com os outros...não me importo se olham para mim como se fosse um alien! gosto de ser assim, verdadeira comigo mesma e fiel aos meus princípios, fretes não são comigo!!
Beijinhos e obrigada por nos fazeres pensar na nossa vida e conduta através das tuas palavras
OlgaM

Utena disse...

Olga,

Dividimos tanta coisa juntas não foi?
Tantas dificuldades... engolimos tantos sapos!
Vimos as duas parte do nosso crescimento... alien... ou não gosto de mim como sou e gosto mais ainda porque numa parte do percurso te tinha lá do meu lado.

Beijo grande

Anónimo disse...

Sim, presenciámos muita coisa, engolimos muitos sapos... mas o importante é que crescemos e nos tornámos pessoas melhores.
É recíproco, amiga! Obrigada por estares lá nos momentos difíceis, nos momentos complicados... sem ti não sei como teria sido...
obrigada por seres quem é e por e me teres acompanhado sempre...
Bem haja!
Beijos grandes,
OlgaM

Utena disse...

Olga,

Não me faças chorar pah...

Beijinhos grandes minha ken lee linda

Nokas disse...

E é assim que deves continuar!! A isso chama-se viver e não apenas sobreviver...

Pink Poison disse...

Também eu te agradeço por seres quem és e como és...
Porque és verdadeira. És tu e tens sempre palavras sábias...
Quanto ao texto, eu não tenho meio termo e já dei muita cabeçada por causa disso mas prefiro do que encontrar o meio termo: seria sair da minha zona de conforto que é a corda bamba. Um beijo

100 Pretensões disse...

Assim é que na realidade se deve ser,isso é viver.
**

Eva Gonçalves disse...

Fazes bem, se é assim que te sentes bem. Eu já sou menos aventureira hoje em dia. Lá está.. já fui mais quando era nova, agora, tenho limitações, porque na minha vida não existo apenas eu, e nem sempre posso fazer tudo que me apetece, dado que outros (filhos) são prioridade e dependem de mim. Se eu fosse sozinha, teria o mundo à minha espera...

Clara disse...

A palavra livre-arbítrio passa despercebida a muito boa gente...já a frase "olhem para mim e aceitem-me, por favor!?!" parece fazer parte das fantasias de muitos.

Respeito as suas escolhas mas não aceito passividade, amorfos ou arrogantes (no fundo são todos iguais...)

Mantém-te firme e não desistas, acima de tudo por ti ;)

Beijo

Martini Bianco disse...

Olá Utena,

Sem dúvida que é muito positivo pensar e se possível viver da maneira que sonhamos, mais difícil é colocar esses sonhos em prática, visto que a sociedade obriga a um estilo de pensar e vida padronizado, a tal ordem social que é bem mais abrangente do que imaginamos. Uma das minhas maiores conquistas a nivel pessoal foi abandonar o políticamente correcto em diversos aspectos, na forma como encaro os outros, na forma como transmito a minha mensagem. Uma pessoa que se consegue libertar do politicamente correcto é uma pessoa livre. Acabava assim por criar algumas inimizades á pala disso, mas mais tarde descobri que o que essas pessoas tinham eram os suportes da banalidade, pessoas que pensavam como elas, logo as apoiavam, no geral pessoas que nunca se questionaram sobre nada. Dizem que com o tempo deixamos de ligar ao que os outros dizem e é verdade. Quanto mais a vida nos passa e contrariamente ao que costumam dizer, mais livres somos.

Utena disse...

Nokas,

E viver doi as vezes... tanto que nem se consegue descrever

Utena disse...

Pink,

Sou apenas assim sem mascaras nem maquiagem... (embora a use).
Obrigada por me leres, por me acompanhares mas mais que isso?
Por seres fiel a ti e não aquilo que os outros gostariam =)
Beijinho

Utena disse...

100 Pretensões,

Sim deveria ser... mas...

Utena disse...

Eva,

Mesmo com filhos... com compromissos... não estando nós de bem com a vida como podemos estar bem para criar laços e estabilidade para quem depende de nós.
De uma forma mais estudada claro penso que é preciso dar os passos que nos leve a realização!
Beijinho

Utena disse...

Clara,

As pessoas esquecem-se que a liberdade delas acaba quando começa a interferir com a dos outros.
A vida é tão fácil de viver bastava as pessoas não a complicarem tanto!
Beijinho e obrigada

Utena disse...

Martini,

Antes de mais obrigada pelo comentário... nós como seres humanos somos bichos de hábitos... por isso mesmo que custe que tenhamos todos contra nós se decidirmos que assim será iremos eventualmente conseguir.
O que eu nao quero é viver a minha vida presa aos ses... se tivesse... se fizesse.
Penso que ao fazer isso posso dizer na verdade que vivi... da mesma forma que o sentes quando começaste a deixar de te reger pelo que diziam os outros.
Bjo