quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Expliquem-me devagar a ver se entendo

Existem muitas coisas que me transcendem, que me custam a entender, aprendi no entanto a aceitar as coisas como são. A não travar batalhas que não me pertencem…
Verdade que é difícil, as vezes quando tomo consciência do que estou a fazer, já lá estou de espada e escudo em riste a lutar guerras que não são minhas… que me custam posteriormente largar.
Mas como em tudo, ninguém nasce ensinado e, é há base de se fazer uma e outra vez as coisas que elas se entranham em nós até se tornarem habituais e não estranhas.
Tento no entanto estar disponível para quando solicitam a minha ajuda, não conseguiria virar as costas quando me pedem a mão.
Realisticamente pouco posso fazer se quem estende a mão não estiver de facto aberto a tentar superar algo ou mesmo em ganhar a guerra… mas posso sempre ouvir… chorar junto… dar o ombro.
Mesmo sabendo na pele que raramente o oposto acontece… talvez por culpa minha que sempre me apresentei como uma muralha indestrutível e pouco humana =)
O engraçado? È que muitas vezes quem menos me conhece que sabe se estou bem ou não!
Mas algo que não entendo, é quando existe desleixo… não consigo aceitar como ainda pouco ouvi… “passei por uma fase má e desleixei-me”…
O desleixo para mim não passa de uma desistência de nós mesmos, já passei pelo Inferno e voltei, e acreditem que não é um exagero… e nunca desisti dos meus e de mim… porque assim que me olhasse ao espelho e não gostasse de mim iria entrar num poço sem fundo com mínimas opções de me levantar…
E eu já lá estive… e a luta para sair de lá levou-me parte de mim e da minha auto-estima e o que passei para a recuperar mudou em muito aquilo que sou… se para bom ou para mau é relativo, o que conta aqui é que não desejo isso a ninguém e ofende-me sobremaneira ver pessoas e rebaixarem-se porque sucumbem ao desespero… porque abraçam o desleixe.
E se fosse por momentos difíceis, mesmo não entendendo, aceitaria agora quando isso acontece numa relação porque a tomamos como certa, mói-me os fígados.
Tenho amigas e amigos que não saem… que não se arranjam… que largaram o ginásio… que perderam os amigos… que se anularam.
Tenho amigos e amigas que vivem duas vidas porque se acomodaram aquilo que supostamente é certo…
O desleixe mata, porque mina… porque destrói aquilo que mais difícil é de manter a dignidade e o amor próprio…
Por isso se alguém conseguir pode explicar-me como alguém pode deixar-se afundar nele? E que eu simplesmente não entendo.
Namasté

6 comentários:

Catarina disse...

Ruivinha... Cada vez gosto mais de te ler :p
Talvez o meu comentário seja um bocadinho fútil, ou talvez não! Gosto de me arranjar, gosto de sentir-me bem, e não acho que seja exageradamente vaidosa, mas sou vaidosa, e assumo, gosto de sentir-me feminina!
Como tudo na vida, há que haver meio termo, quanto a mim, até na vaidade... Quando alguém me diz "Quanta vaidade" porque gosto de me arranjar, eu digo... Não te preocupes enquanto for vaidosa, preocupa-te sim quando me vires desleixada! Porque nesse diz o meu amor próprio andará na merda, e é nesse dia que preciso de ajuda porque algo não está mesmo nada bem!!

Desleixarmos-nos é desistir de nós! E para isso me acontecer, só se algo de grave me passar pela mioleira... É muito mau alguém desleixar-se por preguiça... Ou porque arranjou marido ou esposa! (Conheço!)

Desculpa o alongamento... "Abre as pernas e alonga... É assim? Nem um jantarinho, ou umas flores?" :p (Contei esta a uma amiga partiu-se a rir, tem sido uma risota boa à conta dessa tua expressão!)

Beijo Ruivinha*

Anónimo disse...

Também não percebo como as pessoas deixam de se cuidar, de se tratar, de se arranjar, enfim de se mimar... quer se esteja numa relação ou não nunca percebi porque é que as pessoas se deixam ir...Pois é amiga, algumas pessoas caem nesse erro.. mas nunca é tarde para darem a volta por cima se assim quiserem!
Eu já tive fases más e tu bem saber, mas nunca me deixei ir, nem tu amiga, e assim deve ser: nunca mas nunca devemos desistir de nós próprios!
beijinhos,
OlgaM

Utena disse...

Pandinha,

Obrigada também gosto muito de te ter aqui.
De facto o desleixe mata porque deixamos de ser quem somos...

Beijos...e boas risadas =)

Utena disse...

Olga,

Passamos sim... dias duros... tempos difíceis mas sempre rimos... sempre tentamos seguir em frente e de bem com a nossa imagem.
E isso apenas nos uniu mais ainda

Beijos

Lux disse...

Este texto poderia ter sido escrito por mim, o que significa que já passei por isso e também não entendo como existem pessoas que aguentam uma vida inteira assim... Será masoquismo ou medo de não encontrarem mais ninguém? Medo da solidão???
Não sei qual é a resposta, mas eu prefiro estar só que mal acompanhada, ou pior, que mal amada!

Lux

Utena disse...

Lux,

Sabes que por aí somos iguais eu apostaria no medo da solidão.
Hoje em dia não se sabe estar só