terça-feira, 22 de maio de 2012

Quando nos colocamos nos sapatos dos outros


Não tenho muita paciência para teorias que não levam a lado nenhum.
Uma dessas teorias é o famoso “eu no teu lugar faria…”, na minha terra temos uma frase que justifica muito bem isso que é a chamada: “pimenta no cú dos outros para nós é remédio!”
Mas queiramos ou não, e incluo-me nessa classe, acabamos sempre por ter frases chavão e conselhos sobre assuntos que mesmo que tenhamos passado por eles nunca têm as mesmas consequências na vida dos outros.
Não conseguimos e muitas vezes nem queremos calçar os sapatos dos outros o que origina tantas vezes que julgamentos sejam feitos e muitos deles injustos.
Eu sou alguém a quem muitas vezes pedem conselhos e confesso que em muitas delas preferia que não o fizessem porque pode tornar-se rapidamente num pão de dois bicos… e se repararem quem por norma os dá com alguma frequência raramente os pede. Porquê? Soubesse eu todas as respostas e seria uma mulher muito mais equilibrada.
Todos nós temos os nossos dramas… as nossas formas de os contornar… para quem muitas vezes certos problemas são a tempestade mais assustadora da vida para outros é apenas uma chuva leve de verão!
O ser humano de tão insatisfeito chega a ser inspirador… a nossa raça é tão inspiradora em tantos aspectos que teríamos temas para várias semanas sem interrupção. Mas aproveitamos mal aquilo que nos torna especiais.
Somos egoístas, pensamos demasiadas vezes no nosso próprio umbigo… tornamos na nossa vida mais obstáculos que oportunidades (e isto em nada tem a ver com o discurso politico/idiota do nosso Primeiro)…
Gostava de ter mais a capacidade de me colocar no lugar de quem me procura, de conseguir pegar nos sofrimentos (pequenos ou grandes) e conseguir saber realmente a melhor forma de os tornar simples e resolvíveis… sinto-me tantas vezes impotente!
Esta minha mania de ser a guerreira da vida dos outros deixa-me exausta…tantas vezes seca… demasiado tempo apática da minha própria vida…
Que muitas vezes dou por mim a desejar que por uns pequenos instantes alguém calçasse os meus próprios sapatos e me dissesse exactamente como seguir com a minha…
Mas a verdade é que em todas as alturas que me abro em busca de conselhos raramente os sigo o que ironicamente me faz questionar quantos dos meus não caíram também em saco roto…
Vamos pelo menos trocando ideias… quem sabe quando na nossa vida algo de idêntico se passar não teremos já uma forma de tornar o puzzle completo.
Namasté!

20 comentários:

Anónimo disse...

Eu peco por me colocar (talvez) demasiadas vezes nos sapatos dos outros, tentando antever se vou melindrar alguem, tentando perceber o porque daquela pessoa ser assim e assado, de como age.
Conselhos não passam disso mesmo, conselhos. Creio que muitas vezes pedimos conselhos que nos validem o que já temos decidido, salvo algumas excepções, claro. Há quem no meio da tempestade precise apenas de um conselho de como sair dela ou de saber que tem um ombro amigo a quem pode recorrer.
obrigado pelos conselhos que já me deste e pelo ombro que muitas vezes me emprestaste :)
bjs grds,
OlgaM

Utena disse...

Olga,

Não é fácil muitas vezes termos as palavras certas e sim concordo que as vezes só precisamos de alguém que chore connosco ou ria sem motivo aparente das nossas desgraças...
E o meu ombro está sempre aqui disponível para ti... sabes disso muito bem!
Tal como eu sei que o teu está aí sempre que eu te pedir.

Beijos

Estilo Hedónico disse...

Pois eu considero que a vida deve ser vivida sempre com a maior garra possivel!!! eu adoro viver, mesmo com algumas adversidades!! senão as houvesse, a vida não teria metade da piada!! :)

http://estilohedonico.blogspot.pt/.

xoxo

Pretty in Pink disse...

Eu felizmente acho que cada vez mais tenho ganho essa capacidade...Acho que só assim conseguimos perceber verdadeiramente o que a pessoa esta a passar, em vez de os julgar-mos prontamente...

Beijinho*

Enigma disse...

Gostei do trocadilho :):):)

beijinhos...

AC disse...

Também dou por mim a dar conselhos, penso sempre que vale a pena, mas uma coisa é certa quando mos dão a mim raramente os sigo, acabo sempre por fazer o que contra tudo e todos me dita o coração.Sou muito mais emocional que racional, e já aterrei umas vezes de nariz no chão por ser assim.

Salvador disse...

Um bom dia, Utena...))

Muito bom o texto e muito boa a reflexão. E como é que isto se 'mede'? É quando lemos algo e pensamos algo do género: "É isto mesmo. Porque é que não me lembrei disto antes?"

Um beijo ))

Ana Virgínia disse...

Estou passando para conhecer as participantes de "As amantes do verão".

Um abraço pra você.

Ana Virgínia.

filhadejose.blogspot.com

Ah, tem sorteio no meu blog também, se quiser participar, ficarei feliz.

http://filhadejose.blogspot.com.br/2012/05/sorteio.html

Utena disse...

Estilo Hedónico,

Sim verdade que a vida deve ser sempre vivida ao máximo mas verdade ainda que devemos saber vive-la.

Beijinho

Utena disse...

Pretty,

É sempre mais fácil julgar que compreender.

Beijinho

Utena disse...

Enigma,

E eu gosto de te ter por aqui.

Beijinho

Utena disse...

AC,

Pelo menos não vivemos nos "ses".

Beijinho Guerreira

Utena disse...

Salvador,

Acredita que esse é um dos melhores elogios que me podem dar.

Beijo

Utena disse...

Ana,

Bem-vinda antes de mais.
Passo lá claro para conhecer o teu cantinho

Beijinho

Vera, a Loira disse...

Não imaginas como me identifiquei com o que escreveste, pareceu-me a certa altura que estavas a falar de mim, eu costumo dizer para mim mesma que a melhor maneira de esquecer os meus problemas é ter de ajudar sempre a resolver os dos outros.

Utena disse...

Vera,

Obrigada pelas palavras e concordo contigo a 100% nada como ajudar para ser ajudada

Nokas disse...

O que falta a uns, sobra noutros...

Utena disse...

Nokas,

Sempre assim foi

FireHead disse...

No fundo, nada como vivermos a nossa própria vida e deixarmos que os outros vivam a deles. No que diz respeito aos conselhos, por vezes o melhor é nem os dar. Há ajudas que consistem precisamente na não-ajuda.

Utena disse...

Fire,

Quando me pedem ajuda não a nego mas alerto sempre que é a minha forma de pensar e não tem de ser levada à regra.
Mas a verdade é que temos de saber viver só assim pudemos ajudar quem nos procura