terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Fascínio

Sou completamente fascinada por água, como aliás podem constatar pelos meus textos mais antigos...
Gosto de tudo o que tenha a ver com ela,  a sua textura, o seu toque, o seu sabor... Seja salgada ou doce, da companhia ou de piscinas, em lagos, rios ou mar!
Tenho consciência que não se cuida dela da maneira como se devia, mas por esta altura já não é de surpreender que não respeitamos as reservas naturais como deveríamos, de forma a evitar ficarmos sem os bens mais preciosos que a natureza, tão gentilmente, colocou ao nosso dispor.
A água, principalmente a que esta para ser admirada na natureza, acalma-me, sossega-me a mente e o espírito… é quase como se de um refúgio meu se trata-se, pois quando preciso pensar, ou mesmo apenas quando necessito de somente estar num estado vegetativo onde nenhum pensamento se prende, gosto de estar junto ao mar, prender-me no seu infinito e deixar-me ficar num uno, numa comunhão de estados… de mentes… onde a minha acaba por se dividir e o meu subconsciente transmite as respostas que procurava e que muitas vezes nem sabia que andava a procura.
Nas minhas deambulações pela internet, quer seja para “matar” tempo onde o meu cérebro se recusa a processar informação, quer seja a procura de inspiração para os meus textos que partilho com quem tão carinhosamente me segue, tenho por norma uma tendência forte para ir em busca de imagens de água com a particularidade de ser em preto e branco.
Gosto das imagens nessa cor, ou na ausência dela, que será o mais correcto neste caso de se dizer, esta forma de transpor a imagem, para mim é uma das mais bonitas, pois não me perco na magnitude brilhante das cores, limitando-me a absorver um pouco da alma do artista que captou aquele segundo para a eternidade.
Hoje a minha mente fixou-se nesta, gosto de cascatas, de imaginar quando olho para a fotografia, como deve ser o barulho produzido pelo cair da água por entre as pedras, que se irão moldar de acordo com a vontade e paciência da força rítmica criada por ela ao longo dos anos, quase que consigo sentir a água salpicada no meu rosto de cada vez que me aproximo mais da sua fonte, caminhando por entre o lago que se criou na sua base… sentindo as minhas roupas molhadas e pesadas e o meu corpo arrepiado pela frescura pura, pelo cheiro característico da rocha molhada…
O mais engraçado é que eu quando miúda, tinha um medo terrível da água, da sua força, do seu poder, lembro-me que me debatia tal qual gato selvagem quando a minha avó materna me tentava levar a molhar os pés nas margens do Areínho, uma praia fluvial no Norte.
Depois emigrei para África, para as águas quentes, tranquilas, pulsantes de vida, aprendi a nadar no mar sozinha, e a respeitar a sua magnitude, se por um lado não tenho qualquer receio das suas águas por outro, nunca o menosprezei…
Engraçado como são as memórias, como uma simples imagem pode despoletar flashes das nossas vidas, tais quais slides passados num retroprojector de uma qualquer sala de aulas.
E eu de menina medrosa da força do mar, passei a moça receosa, a adolesceste confiante e aventureira e por fim a adulta respeitosa que encara cada entrada nas profundezas desse mundo que é o mar como uma aventura a ser vivida, aproveitada com consciência, conta, peço e medida.
De todas as minhas lembranças, e eu sou sortuda, tenho bastantes, guardo uma, a minha primeira vez que deslizei, tal qual perdoem-me a falsa modéstia, sereia pelas águas escuras e quentes, da praia do Morro dos Veados, um local que guardo na minha memória e no meu coração, exactamente como vim ao mundo… onde nada se entrepôs entre mim, entre o meu corpo e o toque suave das águas salgadas do mar… Já repeti a experiencia, de cada vez que a faço, é mágica a sensação…única. Mas nada bate a primeira onde a única luz que tinha era o brilho pálido da lua no céu…
Era conhecida nessa praia por Menina do Mar, termo carinhoso que me foi dado por um homem ele sim do mar, cuja idade nunca soube, mas sei que a pele parecia curtida pelo tempo passado junto as suas margens, em contacto com o sal e a torrente do sol…. Dizia que nunca nos seus anos de pescador tinha presenciado algo assim, como eu… que melhor me dava dentro de água que fora, que independente das horas que lá passasse nunca saia com as mãos murchas ou os lábios roxos….
 E no fim de tudo isto não posso deixar de pensar… passaste de fugitiva do mar a sua companheira… e o mar passou de carrasco a confidente….
A vida dá muitas voltas…. Tantas que as vezes até fico com a cabeça zonza!

8 comentários:

M. disse...

Fiquei toda molhada...

Belo hino a água. Não sou tanto assim. Da água gosto do som.

Um texto muito líquido. Um pouco mais de alcoól e seria...lol

Utena disse...

M. ficar molhada é bom... é refrescante!
Engraçado sendo eu signo fogo, tenho uma paixão pela água...
Um texto que começou por ser uma coisa e que os dedos tomaram conta do teclado e acabou por ser um desfolhar do album das minhas memórias... e ja que falas em alcool... um brinde a elas! Fazem sempre tão bem
:)

TILIDA disse...

Eu adoro tudo quanto é água desde que não seja para beber,mas também não gosto de álcool...Olha a M. pôs o assento mal no álcool,seria de propósito é que ela também não bate bem da bola,tem a mania dos trocadilhos...
Começo a conhecer-te,ou melhor,começas a desembrulhar-te...Que rica peça!
Bju porque é mais chuque*

M. disse...

A M não se pode enganar ó Tilidá?

Ai...

Utena disse...

Tilida, sabes que por norma quando os dedos entram em ligação directa com o coração, as vezes mostra um pouco mais o que somos, assim como uma sensual dança de strip :))
Bju.... hummm chique...
Um para ti também ou será 3 como na França?

Utena disse...

ahahahah M. tu não te enganas querida tens digamos pequenos lapsos :))

Anónimo disse...

a água é para, beber nadar regar apagar fogos, é limpa pura fresca é transparente como tu só é pena não ser quente como esse morro dos veados que tantas saudades te deixa obrigada por comentares esses teus prazeres da vida com as pessoas que gostas joca

Utena disse...

Eu é que agradeço por me leres e por os dividires comigo.
beijos grandes